sábado, 12 de janeiro de 2013

Mais um....(Caminho Itupava)


Boa noite,
Já deu pra ver do que eu vou falar hoje né? Caminho do Itupava!
É difícil começar a falar desse dessa história porque ela não conta sobre um passeio tão simples assim, minha história com o Itupava começa no início de 2010. Chegando em casa, em Ponta Grossa, depois de um dia de aula, encontrei um postal do site altamontanha, com uma foto muito semelhante a essa:


E no verso dele estava escrito em letras garrafais "Caminho do Itupava". Adivinhem a primeira coisa que fiz quando entrei em casa. Foi só o tempo do windows iniciar e eu já estava procurando fotos e relatos sobre esse caminho aparentemente tão bonito. A primeira coisa que me agradou muito foi a sua proximidade, ele começa em Borda do Campo, região metropolitana de Curitiba e vai até Porto de Cima, distrito de Morretes. fácil de chegar, saindo de Ponta Grossa. O ruim é que não tem como fazer de bicicleta, mas até ai, tudo bem. Vieram aulas, férias, planos de viagem e sempre pensando nesse caminho, mas é fato que ele nunca foi a primeira opção, muito embora ele não tivesse saído dos planos em nenhum minuto, digamos que era sempre um plano B.
Passou 2011, e veio 2012, ano de bastante mudança pra mim, e uma delas foi o aumento do espírito de aventura, acompanhado agora da Amanda, que é uma super parceira pra essas doidices que me passam na cabeça.
Para o período de fim/começo de ano queríamos a todo custo fazer uma viagem, tivemos várias ideias de roteiros, cheguei a procurar, e não foi pouco, sobre o circuito costa verde e mar, pois a gente queria ir no Beto Carreiro ao fim do circuito, planejamos outros roteiros, mas as coisas não iam muito bem, o reveillon ela  (Amanda) veio passar com a minha família e na semana que ela passou aqui, o caminho do Itupava veio como uma ótima opção.
Começou 2013 e junto com ele os preparativos para nossa aventura, primeira coisa foi pensar no que levar de Maringá para Ponta Grossa e que fosse útil no decorrer do caminho. Chegamos em Ponta Grossa na sexta-feira dia 05 e ainda precisávamos de companhia pois um trajeto desses seria perigoso fazer somente os dois, a principio o Marcus iria conosco, mas pro problemas de agenda, foi impossível, acabamos acertando, meio que por sorte mesmo, de ir com o Kalyl, muito embora eu tenha chamado mais gente. Durante o sábado fizemos as listas das coisas para as mochilas e pesquisa sobre hotéis e pousadas. No domingo fomos as compras de comidas e restante das necessidades. E fomos dormir cedo. Pelo menos a Amanda diz que foi, eu deitei as 22:00 e dormir mesmo, só as 00:40, a ansiedade estava braba.
Segunda-feira 07/01, acordei as 3:40 e com a mala pronta, foi só tomar banho e café da manhã e já fui buscar a Amanda, seguimos para Curitiba, saindo de PG as 4:40 da manhã. Nem preciso dizer que a moça dormiu o caminho todo - melhor assim, já que pude andar um pouco mais rápido e evitar um atraso. As 6:15 recebi a primeira mensagem do Kalyl me avisando que já estava no terminal Guadalupe nos esperando. Eu ainda tinha de estacionar o carro e chegar no terminal. Minha ideia inicial era estacionar na rodoferroviaria pagando o estar, mas minha surpresa ao chegar lá foi encontrar o estacionamento lotado, o jeito foi procurar outro, mas as 6:20 da manhã, só consegui encontrar um aberto. Carro guardado, e por sorte, a uma quadra do terminal, era hora de encontrar o Kalyl. Mal encostamos na plataforma, o ônibus chegou, nosso itinerário foi: Quatro Barras-Borda do Campo, nesse ônibus de borda do campo, apenas seguimos até o último ponto. O nervosismo não me deixava parar de falar, e mesmo querendo ter dormido um pouco mais aproveitando o tempo no busão, simplesmente não consegui.
As 8:00 passamos pelo posto do IAP para nosso cadastro, o posto na verdade é quele trailer que aparece na primeira foto. Lá tivemos todas as informações uteis ao nosso caminho. O senhor que faz o cadastro pega vários números de telefone e pessoas a quem avisar, pergunta sobre lanternas e bateria reserva e se vamos ou não acampar e se alguém já conhece o caminho. Depois nos informa onde pega o celular (são 3 pontos) e sobre onde estão as piores descidas. Também nos avisa que se perder é muito difícil pois o caminho é bem largo e de fácil visualização, que se não saíssemos da trilha, não tem como se perder, fato esse comprovado durante todo o caminho.
Começamos a caminhada e era muito largo, clima gostoso e varias risadas. (Nesse ponto até o Santuário do Cadeado, eu tive problemas com a câmera e só soube depois quando fui passar para o PC, por isso muitas imagens foram cedidas pelo amigo google)


Logo tivemos uma bifurcação, o caminho era a direita, mas resolvemos ver o que havia a esquerda pois o barulho de água estava um tanto alto. O resultado foi essa bela cachoeira, que segundo o Kalyl não valia porque o cano levava a água até o topo. Eu particularmente fiquei impressionado com a clareza da água, e isso foi uma constante até Porto de cima.


Voltamos para a trilha original, fizemos uma pequena descida num terreno bem compactado e que facilitou bastante e depois uma subida que exigiu um pouco de preparo, mas ainda não haviam muita pedras. Com pouco mais de 1 hora de caminhada chegamos ao Boa Vista de onde conseguimos ver o Morro do Pão de Ló. É um lugar muito bonito em que é possível sentar e comer numa boa clareira.
Voltando a caminhar, começa o calçamento do caminho, uma boa descida nas pedras, bem lisas e alguns escorregões, mas sem tombos. Esse calçamento foi feito entre 1625 e 1650 pelos escravos, sendo assim a primeira "estrada" que ligava a planície litorânea à Curitiba e foi usada até o meio do século XIX quando foi concluída a estrada da Graciosa. Como havia chovido nos dias anteriores, o caminho estava bastante úmido ainda, e escorregadio como poucos lugares por onde andei. Pra nossa surpresa, ao longo da descida passaram por nós dois garotos sem camiseta e usando chinelos, descendo mais rápido que nós, foi bem frustrante.



depois dessa primeira descida passamos por um rio, uma ponte bem feita e o rio muito, mas muito limpo. Havia pequenas quedas ao longo dele, e um pouco abaixo os dois guris tomando banho de rio. Deu até uma invejinha boa deles, de conhecerem aquele paraíso e mais ainda, de saberem usar aquilo.
Mais caminhada num plano meio descendo meio subindo com uns pedaços encharcados e chegamos na primeira "pinguela", era pior, mas depois das chuvas bem fortes que caíram em 2011 que estragaram bastante coisa, durante a reconstrução foram feitas pontes melhores.



E andamos mais, descemos mais, e perto do meio dia chegamos na casa do Ipiranga. Lá paramos pra almoçar, e claro, aliviar as mochilas. Incrível a vista que se tem da casa, imaginar a piscina cheia e nadar com a vista pra serra foi só pra passar mais vontade. Hoje os vândalos estragaram muito do que ela já foi e o resultado é bem triste.



Atravessamos a linha férrea e quase não acreditando que o caminho era por ali mesmo, resolvemos continuar. Esse trecho, acredito, ter sido o mais demorado, o terreno hora subia, hora descia em um chão muito encharcado e por isso muitas poças de lama no caminho, tinha hora que era difícil encontrar um lugar pra pisar, e não por medo da lama ou algo do tipo, mas a lama poderia proporcionar um tombo épico.


Foi também nesse trecho que fizemos a descida mais ingrime do caminho, saindo de 780m e parando com 250m no Santuário do Cadeado. Mas antes de chegar lá, muitas pedras e árvores caídas. Foi tentando passar por elas que tanto eu quanto o Kalyl rasgamos o meio de nossas tão queridas calças.



Ainda antes de chegar ao Cadeado passamos alguns rios, por sobre as pedras, e duas belas e enormes cachoeiras. Dignas de se passar um bom tempo admirando.


Depois delas fiquei procurando a entrada que nos levaria a queda Véu de Noiva, porém quando menos esperava estava no Cadeado e descobri que havia passado pela entrada. Essa super descida até o Santuário é assustadora de ingrime, vem fazendo um zig-zag em que cada curva desce quase 8 a 10 metros, as pedras lisas e inclinadas ajudavam a tirar o equilíbrio do corpo e não a toa levei 4 tombos no total.





E quando a gente já estava perdendo as esperanças, finalmente chegou o Santuário!


A vista é simplesmente linda, mais fotos estão no vídeo, e dai as fotos são minhas mesmo. Lá encontramos um pessoal que havia acampado pela região na véspera, e foram eles que nos ajudaram com uma questão que ia começar a preocupar, água! Havia pertinho dali uma gruta com água potável, e fomos lá abastecer as garrafas. Tivemos de andar um pouco pela linha do trem, mesmo o senhor do IAP tendo nos avisado pra não fazer isso, água era algo que a gente precisava. Ainda bem que foram poucos metros, menos de 50 no total. Mais tarde a gente descobriu que nesse ponto, uma semana antes de nós, um rapaz havia caído, sofrendo uma queda nesse mesmo local, andando com a namorada. Descrevendo um pouco melhor, e vocês vão entender depois, com o vídeo, o rapaz vinha caminhando sobre o trilho com a namorada andando entre os trilhos, nisso ele escorregou, ela querendo ajudar disse pra ele vim pro meio, ele concordou e ao se levantar pra fazer isso acabou escorregando e caindo para fora da ponte, sofrendo uma queda livre de 10 metros e depois rolando mais 15 até parar. A menina foi de volta até o Santuário, onde tinha rede de celular e ligou pros órgãos responsáveis, o rapaz foi retirado com ajuda de um helicóptero,  desacordado e teve uma parada cardíaca assim que entrou na aeronave, até o dia em que soubemos ele ainda estava em coma na UTI, depois reparem bem o vídeo e vejam a semelhança do que ocorreu, lembrando que a gente não sabia do fato ainda. Garrafas cheias, voltamos. Ainda deu pra ligar pros pais e avisar que estava tudo bem e só depois de uma boa pausa retomamos a caminhada.
Pra nossa sorte, agora o caminho era mais suave a inclinação era bem menor, mas os musgos ainda estavam lá pra nos lembrar de prestar atenção onde pisar. Antes de chegar ao posto do IAP, ainda passamos por algumas pontes, e embora o trajeto já fosse bastante plano, alguns lugares era difícil parar em pé pois as pedras eram bem lisas.








Quando saímos do caminho ainda havia uma estrada de saibro pra percorrer, a conhecida Estrada das Prainhas, alguns lugares ainda conservam as pedras, o que nesse caso, depois de tanto tomar cuidado com elas, já estava nos irritando. Essa estrada vai beirando o rio que depois vai ser o Nhundiaquara, meia hora de caminhada e chegamos no posto do IAP onde demos os nomes de que havíamos, finalmente, terminado o caminho do Itupava, dali fomos andando em direção a Porto de Cima, ainda faltavam 4km e eles pareciam intermináveis, os pés ardiam, as pernas queimavam e as dores nas costas eram muito fortes.
Durante esse caminho a Amanda ligou para a Priscila da Pousada Vovó Idalina, onde a gente iria ficar, e avisou que estávamos perto, como combinado anteriormente, ela mandou alguém nos buscar, veio o Wagner, que preparou o carro dele pra receber os sujos caminhantes e nos levou até a pousada em Morretes, elogio pra eles quanto a atenção com o cliente. A pousada é simples, mas foi mais que suficiente para o nosso descanso depois de 11 horas de caminhada, não sei se agradecia mais a cama ou a carona.
Depois de tirar as roupas, que foram direto para o lixo - rasgadas e sujas - e um belo banho, cochilamos um pouco. A Amanda passou mal um pouco e então saí pra buscar algo pra ela comer e remédio pra dor, quando voltei o Kalyl estava acordado e saí com ele pra jantar. Muito gostoso o clima da cidade a noite, quase parando, mesmo em época de temporada é um lugar bem calmo e bom pra descansar.
Na terça-feira acordamos bem tarde, e já saímos direto pra passear pela feira de artesanato e depois almoçar. Depois de um dia como o anterior, poder se deliciar com camarão, peixe e barreado a vontade, foi um presente muito bem-vindo. Nisso o horário da diária venceu, ligamos novamente pra Priscila e ela disse pra não nos preocuparmos que nossas coisas estariam guardadas. Chegamos de volta na pousada as 13:45 e começamos a planejar a volta pra Curitiba, pra nossa sorte existia um ônibus as 14:30, pensamos em ir nele. Colocamos as mochilas nas costas e partimos pra rodoviária. Ao chegar lá descobrimos que só teria o ônibus das 15:00 e só tinha 2 passagens disponíveis, para 3 pessoas só as 17:00. Mas como a sorte estava com a gente, o balconista foi gentil e nos disse pra esperar pois quando o ônibus chegasse poderia haver uma desistência, sorte maior foi existir essa desistência. Às 15:15 deixávamos a rodoviária de Morretes. E como sorte pouca é bobagem, esse ônibus era o que subia pela Estrada da Graciosa, assim, ainda ganhamos a bela vista ao subir de volta. Esse ônibus faz uma parada de 20 minutos do alto da serra para "água", que na verdade é pro pessoal tirar fotos. Depois ele segue pela parte antiga da Estrada da Graciosa, sem passar pelo portal atual na BR-116, segue por um caminho diferente e somente entra nessa BR em Quatro Barras, passando pela Estrada D. Pedro II. Às 18:00 chegamos a rodoferroviária de Curitiba. Agora era buscar o carro e rumar para Ponta Grossa.

Agora vai o vídeo com as fotos que consegui fazer no caminho.



E o mapa do caminho:


Sugiro o caminho pra todo mundo, mas uma coisa é fato, um terceiro apoio (bastão de caminhada) e uma época menos chuvosa, são boas ideias.

Grande abraço a todos.